As empresas que fornecem tecnologia para lojas virtuais apresentam um apetite mais forte por aquisições, sobretudo de companhias que fornecem sistemas de pagamento. Entre os casos de aquisições mais recentes estão a compra da Braspag pela Cielo, a aquisição da Dinero Mail pelo grupo BuscaPé e a operação da Tray com a ERNet. Gerson Rolim, consultor do Comitê de Meios de Pagamento da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net ), afirma que as companhias tomam por base indicativos de que o internauta brasileiro efetua a compra, mesmo não conhecendo a loja, se o sistema de pagamentos for conhecido. Portanto, para a empresa que atende à loja virtual, ter um sistema de pagamento tornou-se peça-chave para atrair esses empreendedores. Durante muitos anos, as pequenas e microempresas virtuais tiveram dificuldades financeiras e técnicas para vincular seus nomes aos grandes sistemas de pagamento eletrônico. O custo para integrar o sistema de pagamentos aos sites era alto e havia exigência de manter um técnico para fazer a manutenção do sistema, afirma Rolim. As empresas de hospedagem e os fornecedores de software para montagem de lojas virtuais desenvolveram seus próprios sistemas de pagamento, ou firmaram parcerias com as principais empresas do segmento para oferecer sistemas a preços mais baixos. “Houve um aumento da competição no segmento de sistemas de pagamento que favoreceu principalmente o pequeno lojista”, afirma Rolim. A camara-e.net estima que existam 60 mil lojas virtuais brasileiras na internet. Desse total, aproximadamente 12 mil lojas virtuais são de pequenas e microempresas, estima Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da e-bit. Segundo a consultoria, 95% das pequenas e microempresas virtuais fecham antes de completar cinco anos de existência. “A maioria dos empreendedores tem apenas conhecimento de varejo e é eminentemente compradora de tecnologia”, diz Umberti. Esses pequenos e microempresários preferem negociar com apenas um fornecedor de tecnologia, em vez de contratar serviços de diferentes companhias. “A mudança no perfil da demanda acabou forçando a consolidação das empresas de tecnologia”, afirma. O Mercado Pago, que se declara o maior serviço de pagamentos on-line da América Latina, com 56 milhões de clientes cadastrados, acompanhou a série de aquisições de companhias concorrentes por grandes grupos. “O interesse de todas as empresas do setor é ser uma Amazon, ou seja, oferecer um conjunto de serviços para atrair mais lojas virtuais”, afirma o diretor do Mercado Pago, Marcelo Coelho. A companhia, que encerrou 2010 com receita de US$ 700 milhões, cresceu 150% em vendas no primeiro trimestre do ano. Segundo Coelho, a expansão foi fruto da expansão do comércio eletrônico e de parcerias com outros fornecedores de TI para lojas virtuais. Luís Motta, sócio da área de fusões e aquisições da consultoria KPMG, observa que no primeiro semestre houve 12 aquisições e fusões de empresas de internet. “Os setores de internet e software registram mais fusões e aquisições que a média do mercado. Mas, de fato, observa-se uma consolidação no segmento”, afirma. (CB) Por Cibelle Bouças Fonte: Valor Econômico




